SANTIDADE

Benedict XVI           Passados quatro décadas e alguns anos da minha vida, nestes dias estou sentindo novamente uma sensação recorrente na minha vida que é uma mistura de emoções, sentimentos e valores que desafiam meu racional. Compartilho com você minhas reflexões.

Como é gostoso ter um Papa! Como é boa a sensação de ter uma pessoa que é uma referência e uma conexão com Deus. Pessoa tal na qual podemos depositar todas as nossas angústias, dúvidas e medos. Realmente é um conforto tentador. Agora, tenha certeza que isto é um grande fardo para sua Santidade, que também é humano.

Porém existem algumas regras que são desconfortáveis. Existe uma grande pressão do “mundo moderno” pedindo mudanças.

Será que a Igreja deve mudar?

Os desafios apresentados à Igreja são aborto, anticoncepção, celibato, homossexualidade, células tronco e opção pelos pobres.

Sobre o aborto só vale discutir quando é que começa a vida. É no ato sexual? É na fecundação? É na implantação? É quando está formado e deixa de ser embrião e passa a ser feto? É quando se torna viável para sobreviver fora do útero? É quando nasce? É quando tem consciência? Cada um faça seu juízo e após isto o aborto é assassinato e covarde, pois o ser em questão não pode se defender e nem pode ter seu choro ouvido. Muito diferente de matar um bárbaro sociopata que chora, paga impostos, mente e tem advogado.

Quanto à consciência, bem, vemos muitos adultos que podem ser classificados como sem consciência alguma.

Falando de estupro, devemos lembrar que a criança é filha da genitora também e não só do estuprador. Tente matar o estuprador para ver o que você consegue. É fácil encontrar pessoas que são contra pena de morte e, ao mesmo tempo, a favor do aborto!

Sobre a sexualidade e a anticoncepção, deixando de lado a “modernagem” atual e olhando de uma perspectiva milenar em muitas e muitas culturas a sexualidade e a reprodução é algo divino, místico e sagrado e a Igreja considera o ato sexual sagrado e onde ocorre o início da vida.

Agora eu pergunto, quem é que nunca cometeu nenhum deslize? Oras, não tem sentido querer mudar um dogma sobre o que é certo ou errado só porque fazemos o errado recorrentemente.

Sobre o homossexualismo diria que está na “lista do errado”, assim como masturbação , pílula anticoncepcional, etc. Então me diga quem acha que pode jogar alguma pedra? Outra coisa, quem disse que é mais grave? Parece-me que o valor da gravidade é dado mais pelas pessoas dispostas a se digladiar pelo tema do que pelo dogma em si. Por que é tão importante apagar tudo isso da “lista do errado”?

Quanto ao casamento entre homossexuais, oras, faça-se uma união que garanta os mesmos direitos do casamento heterossexual. Porque precisa chamar de casamento? Só para gerar polêmica e conflito?

O celibato é algo que existe para garantir o desprendimento necessário para exercer a função. Se alguém quer divulgar o evangelho e ajudar ao próximo existem milhares de formas de fazê-lo sem ser padre. É claro que o celibato dificulta conseguir um número suficiente de padres, mas isto sim é um problema da Igreja e ela é que tem que resolver isso.

Já se falou muito, e hoje se fala menos, que a igreja é elitista e longe dos pobres. Isto vem de uma teoria conspiradora contra os pobres que até é meia verdade. Acredito que os pobres têm que ser amparados, alimentados, vestidos e abrigados até um mínimo de dignidade, mas devem ser estimulados, ensinados e quererem aprender a pescar.

Sobre célula troco embrionária a discussão envolve a questão do início da vida, que já mencionei, e o eterno debate entre ética e ciência. O fato é que, descontado os milhões de dólares envolvidos, célula tronco embrionária não serve para nada, apenas para produzir tumores. Já a célula tronco somática é diferente, esta sim pode formar e reparar órgãos e tecidos sem afrontar a dignidade humana em qualquer nível.

Finalmente digo que não tenho a intenção de esgotar o assunto e nem ofender ninguém, mas queria apenas chegar ao seguinte ponto:

Para mim o grande desafio da humanidade é assumir responsabilidade sobre as consequências do que faz ou deixa de fazer e sobre seus erros, ou seja, sua negligência, imprudência e imperícia. Regras existem para quem não sabe ter liberdade. Não devemos nos eximir, culpar outro ou adulterar o que tem valor.

O grande desafio da igreja e das religiões é permanecer paternalista amarrando e tutelando as pessoas em nome de Deus ou levar toda a humanidade a outro nível superior de liberdade, responsabilidade e conhecimento de causa e efeito com fraternidade proativa para a glória de Deus.

O triste é que mesmo os críticos e os formadores de opinião enxergam o detalhe, mas não conseguem ou não querem enxergar a grande obra.

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