Rio+20 e a Sustentabilidade no Brasil

Aproveitando o Rio + 20…

Sobre sustentabilidade muito se fala, mas o que podemos realmente dizer é que não sabemos nada, nem arranhamos o tema. Precisamos mudar nossa maneira de pensar, mudar o paradigma para podermos começar a enxergar e lapidar as soluções. Isto vai demorar um tempo que só será contado a partir do início, mas ainda nem começou.

Convido você leitor para uma jornada.

Durante a história da civilização humana, em diversos lugares e momentos o convívio social sempre favoreceu a sobrevivência do indivíduo em comparação à solidão, mesmo aquele em condição social desfavorável, considerando inclusive que “o homem é o lobo do homem”. Sempre houve, também, pessoas que se colocavam no lugar dos desfavorecidos, se compadeciam e começavam a divulgar conceitos de fraternidade.

Do ponto de vista econômico o que tínhamos era simplesmente uma quantidade de riqueza e quanto esta riqueza circulava. Toda riqueza se baseava na posse de recursos naturais para prover condições de vida e luxo. Logo se percebeu que quanto mais as riquezas circulavam, maior era a possibilidade de enriquecimento e estimulou-se o consumismo.

Nos primórdios da contabilidade procurava-se controlar e gerir estas riquezas, mas os recursos naturais eram considerados infinitos.

Passado este tempo, continuamos achando que água, ar e solo são infinitos, só que nossa população está chegando à dezena de bilhão.

Quando é que vamos mudar a forma de fazer a conta?

O petróleo é a forma mais barata de energia ou estamos fazendo a conta de forma errada? Qual o seu custo social e ambiental? Esta dívida agora está sendo cobrada com os desequilíbrios ambientais e até quando insistiremos em fechar os olhos.

Já existe uma norma contábil para avaliação do balanço social e ambiental, mas ninguém usa, pois ninguém quer ver o número do passivo resultante. Muito mais interessante é fazer uma campanha de marketing para posar de “sustentável” sem ter os números para provar o que se divulga.

Provavelmente a campanha de marketing custou mais que a ação de suposta sustentabilidade.

Conduzir algo com números confiáveis já é difícil, sem estes números é uma das poucas situações em que eu acredito que a palavra impossível se aplica.

Como podemos compensar tudo isso?

Primeiro fazer a contabilidade sócio ambiental de nossas ações e enxergar o valor do passivo. Depois atuar via entidades sem fins econômicos, mas com fins sociais e ambientais com objetivos e metas para reverter o passivo.

 Aí vem outra questão:

O terceiro setor no Brasil existe desde antes do Brasil de fato existir. Nossas primeiras Santas Casas foram criadas ao redor de 1540 por iniciativa da própria população de então.

Era voltada à assistência e contava com a benemerência e o voluntariado.

Este sistema filantrópico não é errado, mas hoje é inadequado, pois fomenta a ação individual voluntária de abnegados e de abastados benemerentes, não há gerenciamento e promove o assistencialismo que é um ciclo de ações de assistência sem o compromisso de mudar a realidade e tem um cunho paternalista.

Temos que construir um terceiro setor baseado na responsabilidade, na prestação de contas e no fomento da cidadania participativa com ação coletiva, consensual, extensiva a todos e gerenciada com uma base estratégica.

Promover o associativismo, a cooperação e a solidariedade, priorizando os problemas sócio ambientais com comportamentos ético e civilizado.

Toda esta participação enobrece, inclui e motiva as pessoas.

Repare que isto já tem um impacto econômico, pois gera postos de trabalho e emprego.

Trabalho voluntário deve ser evitado, pois é isso que afasta a maioria dos cidadãos do terceiro setor. As pessoas têm que ser remuneradas pela sua competência, capacidade e inovação que produzem.

Este terceiro setor pode e deve trazer parcerias e vantagens para o setor econômico e governamental. Deve ser também a base de incubação da economia verde e da economia criativa e outra que surgir.

Finalmente temos que o que não é responsabilidade é irresponsabilidade.

Chega de individualismo, prevalência do discurso de mercado com banalização de problemas sócio ambientais, alienação, deterioração das relações de trabalho e do caráter das pessoas.

Percebam que a solução e a culpa não estão só nas mãos do governo e do setor econômico, mas também nas pessoas acostumadas a serem tuteladas.

Sou francamente capitalista, mas do capital limpo e justo, com a responsabilidade de mostrar que estamos perdendo grandes oportunidades em não querer mudanças.

Abram os olhos.

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Gostou do tema? Sugiro a leitura dos seguintes artigos:

Sustentabilidade: Você conhece as regras do jogo?  – As pessoas falam muito sobre sustentabilidade e me deparo com diversas ações neste sentido. Isto ao mesmo tempo em que me alegra também me causa preocupação, pois existem alguns equívocos que podem tornar ineficaz e frustrante as ações atuais, levando ao descrédito esta causa.

O passo da responsabilidade – Frequentemente encontro nos meios de comunicação informações sobre Responsabilidade Sócio Ambiental que desinformam o leitor ou perdem a oportunidade de informar melhor sobre o assunto em questão.

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