Legado

Dia desses, eu buscava na internet um vídeo dos anos 80 de um artista muito famoso para usar em uma homenagem, ao assistir notei que sua esposa, viúva há trinta anos, estava fumando um cigarro. Por este motivo desisti de usá-lo. Então vem aquela clássica pergunta:

– O que você gostaria que falassem no dia de seu enterro?

Mais que isso.

– O que quer que falem, trinta, cinquenta ou cem anos após seu enterro?

Não é preciso ser o mundo, apenas seus filhos e netos.

Qual é seu legado?

Pensando no passado, vimos navios afundando, aviões caindo e apesar de todos os eventos adversos, a culpa recai no comandante que morreu, pois ele não está presente para se defender.

Sua responsabilidade poderá ser questionada quando você não estiver mais aqui para se defender.

Quando falo em colocar a culpa nos outros pelos próprios resultados parece algo inofensivo, mas essa prática é muito perversa. É fácil agredir quem não pode se defender e desviar a atenção sobre nossa responsabilidade.

Falando do presente, na discussão do aborto só cabe uma pergunta:

– Quando começa a vida? O resto da discussão é inútil, pois se a vida já começou é assassinato. É absurdo colocar o aparato do estado para esse fim, mas nossa lei permite aborto em caso de estupro.

– Então por que não se mata o estuprador também? Simples, porque ele está aqui para se defender e ser defendido, o feto não.

– E o futuro, como fica?

Existe a questão do problema e do conflito. Todo conflito envolve um problema, mas nem todo problema envolve um conflito.

Conflito existe quando há disputa pelo acesso a um recurso escasso, geralmente riqueza, poder e prestígio, mas também algo essencial como água, alimento, saúde, etc.

Quando pessoas, grupos ou nações notam que têm dificuldade de obter determinado recurso disputado, ocorre conflito.

A solução é regulamentar o uso e haver concordância e cooperação entre as partes.

Algumas vezes o problema existe, mas não há conflito, pois não há a percepção do problema. Existe uma cegueira, ignorância ou euforia coletiva e ninguém se manifesta. Em alguns casos o problema é tão grave que se nega sua existência.

Na questão da sustentabilidade, a outra parte do conflito supostamente nem nasceu ainda.

Deste ponto de vista, não sermos responsáveis em lidar com o uso sustentável dos recursos estaremos fazendo algo como abortar as gerações futuras.

O detalhe é que as gerações futuras já nasceram e vão sofrer com isso.

Imagine o que será dito no futuro sobre nossa geração, francamente seremos considerados muito menos do que achamos que somos.

Você já refletiu sobre isso?

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