Henry Ford e o Circo de Pulgas

Vou contar um trecho da história de um ícone do empreendedorismo, fico imaginando o que teria levado um jovem de área rural do século XIX a revolucionar a indústria e todo o consumismo mundial.

Vejamos sua célebre frase: “Se você acredita que pode ou se acredita que não pode, de qualquer forma você está certo”, se tornou um mantra dos empreendedores.

Henry Ford era filho primogênito, nasceu e viveu a infância numa fazenda junto com sua família na segunda metade do século 19, a vida era muito diferente da atual. Na escola aprendia-se matemática, gramática literatura e caligrafia. Escrevia-se manualmente com lápis ou uma pena, usava-se mata borrão comunicava-se por cartas. Liam-se os clássicos gregos da literatura e a bíblia. Desmontar e montar relógios e motores era um desafio sedutor e caro. Observava-se muito e só existia o mundo real predominantemente mecânico, o máximo virtual era o telégrafo. Os serviços eram pesados e manuais, desenvolver máquina era a solução para diminuir o trabalho físico.

Aos 16 anos decidiu mudar para Detroit, em meio a esta transição certo dia encontrou-se com Peter, um amigo da família que morava na cidade. Havia também na cidade um festival com vários entretenimento comuns da época, como jogos para medir força e habilidade física, show com animais, ilusionismo e outras apresentações exóticas.

Alguns chamaram a atenção de Henry, a primeira foi um senhor que conhecia ciências naturais e havia aberto o tubo digestivo de um animal e descrevia entusiasmado como o alimento era gradualmente processado desde a boca, recebendo ações mecânicas e químicas, sequencialmente e ordenadamente para poder ser digerido e permitir a absorção dos nutrientes com o restante sendo eliminado. Afirmava que o processo era o mais eficiente possível, pois havia sido aperfeiçoado por milhares de anos.

Caminharam mais um pouco e Peter encontrou seu velho amigo John e descobriu que ele era proprietário do “Circo de Pulgas” e eles ficaram muito interessados. John descreveu resumidamente que suas pulgas treinadas faziam números de malabarismo, equilibrismo e força, pois eram capazes de levantar pesos muito maiores que elas próprias.

John tinha que se apressar, pois ainda precisava fazer um reparo antes de iniciar o próximo show. Henry perguntou se poderia acompanhá-lo, pois era relojoeiro amador e ficou muito curioso pelas miniaturas. John então o convidou para assistir o show.

Ao chegarem à tenda John mostrou a mini carroça avariada e Henry comentou o que faria para resolver o problema. John concordou e insinuou se Henry não poderia ajudá-lo. Henry acabou fazendo todo o serviço.

Chegou o momento do show, a platéia fazia barulho. Peter e Henry se acomodaram para assistir também.

Ao final da apresentação os dois voltaram a encontrar John e admirados perguntou como era o treinamento das pulgas – “Elas não fogem?”

John, em retribuição ao comportamento de Henry, disse:

– Primeiramente eu uso as habilidades naturais das pulgas para as atividades, agora o principal segredo do negócio é algo que peço que não divulguem. As pulgas são capazes de pular até cem vezes a própria altura, porém elas são colocadas dentro de pequenos frascos e após alguns saltos, batem na tampa e percebem que não podem ir muito alto, ficam condicionadas e acreditam que não podem dar grandes saltos, assim mesmo que você as retire do frasco e as solte elas não vão muito longe.

Henry ficou espantado, nunca havia pensado nisso e começou a imaginar quanto que isso teria de significado na vida dele.

Cordialmente se despediram e agradeceram a experiência enriquecedora.

Voltando para casa, Henry e John conversaram sobre o circo de pulgas, Henry inclusive comentou que possuía um livro de filosofia grega que de certa forma se referia a isso, mas que quando leu não tinha percebido a profundidade da frase.

Ao chegar a casa, John buscou o livro e mostrou a Henry:

“Aquilo que temos o poder de fazer, temos também o poder de não fazer” Aristóteles

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